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Publicado em 09/01/2018

Empresas aproveitam ambiente favorável e antecipam captações (Valor Econômico)

O mercado de captações externas iniciou 2018 a todo o vapor, com operações anunciadas já na primeira semana do ano e a sinalização de que o primeiro semestre seguirá aquecido. Com as incertezas que cercam as eleições presidenciais em outubro, as companhias correm para garantir o refinanciamento de suas dívidas. Rumo, Rede D’Or e Marfrig já têm encontros com investidores para emissão de bônus no mercado internacional, e JSL confirmou que está em fase avançada de estudo.

As estimativas de volume para o ano, segundo bancos de investimento consultados pelo Valor, vão de US$ 20 bilhões, na projeção mais pessimista, a US$ 35 bilhões, na mais otimista – em 2017, as emissões de bônus movimentaram US$ 32 bilhões. Mas há quem nem arrisque dar palpite, como é o caso do Bradesco BBI. “Temos muitos sinais positivos do lado dos investidores, de que estão com apetite pelo risco Brasil e que estão prontos para comprar novas emissões. Mas é difícil prever como será o ano inteiro”, afirma Philip Paul Searson, responsável pela área de renda fixa internacional no banco.

O desempenho das captações brasileiras, especialmente no segundo semestre, vai depender do cenário político local, de quem serão os candidatos à presidente, da manutenção da agenda atual de reformas e do desempenho da economia, ressalta Hans Lin, responsável pelo banco de investimento do Bank of America Merrill Lynch (BofA). Ele detém, no entanto, uma das estimativas mais otimistas, de US$ 35 bilhões.

Por ora, o cenário segue favorável. A liquidez global continua alta e o fluxo de recursos para os fundos dedicados a países emergentes, positivo. Na primeira semana do ano, México e Argentina já levantaram, juntos, mais de US$ 10 bilhões em bônus soberanos.

“Mesmo no contexto de alta do juro nos Estados Unidos, os emergentes continuam como opção para aumentar o rendimento das carteiras. Hoje está barato para alongar dívidas com a demanda externa por papéis com prazo maior”, afirma Alexandre Castanheira, diretor-gerente responsável pela área de mercado de capitais do Morgan Stanley. Ele espera um volume de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões em emissões externas brasileiras este ano.

No Brasil, o cenário político ainda tem pouca influência sobre o preço dos ativos. Para se ter ideia, os contratos de credit default swap (CDS) de cinco anos do país seguem a trajetória de baixa e eram negociados perto de 150 pontos-base na última semana, menor patamar desde o fim de 2014, um ano antes de o país perder o selo de grau de investimento pelas agências de classificação de risco.

“Janeiro será um mês aquecido porque tem muitos vencimentos concentrados. Esperamos oito operações neste mês e 15 no primeiro trimestre, incluindo muitas estreias das empresas que nunca emitiram bônus”, afirma Felipe Wilberg, diretor de mercado de capitais de dívida do Itaú BBA. A estimativa da casa é que o volume emitido no ano fique em torno de US$ 25 bilhões. “Muitos mercados estão abertos – de bônus perpétuos, high yield e de curto prazo.”

Além das operações em curso, outros nomes são esperados, caso da Petrobras, que historicamente aproveita janeiro para refinanciar parte dos seus passivos e possui agora o benefício do acordo que suspende a ação coletiva (“class action”) movida em decorrência de prejuízos provocados pela Lava-Jato. Hidrovias do Brasil, Eletrobras, BRF e CSN também teriam planos de captar recursos e, do setor financeiro, Bradesco e Banco do Brasil estariam acompanhando as condições para vender títulos perpétuos.

A expectativa do Santander é que o início deste ano supere o de 2017 pela maior concentração de operações em decorrência do processo eleitoral, conforme explica Guilherme Silveira, superintendente executivo da área de mercado de capitais de dívida. No primeiro mês do ano passado, as emissões somaram US$ 5,2 bilhões, sendo US$ 4 bilhões apenas de Petrobras, US$ 700 milhões de Fibria e US$ 500 milhões de Raízen. “Vislumbramos sete operações em janeiro, sem incluir grandes nomes que emitem com mais agilidade e decidem de um dia para o outro, como Tesouro, Petrobras e Vale”, diz o executivo.

Em um cenário de estabilidade, 2018 teria potencial de superar 2017 em operações, afirma Silveira. Mas, dada a expectativa de volatilidade com a política, a aposta é de US$ 30 bilhões em operações no ano. Fernando Florêncio Campos, diretor de mercado de capitais e infraestrutura do Banco do Brasil, também espera um cenário semelhante. “Terá volatilidade como sempre há em qualquer país que tenha um evento como esse, mas entendemos que o mercado corre paralelamente”, afirma o executivo, que espera que o ano repita o resultado de 2017.

Entre as novidades, bancos esperam que as empresas voltem a levantar recursos em outras moedas, como o euro, após dois anos e meio sem esse tipo de captação. Deve ganhar força também o movimento de estreia de empresas no mercado internacional, sendo boa parte delas sem receitas em dólar. Para elas, o custo da proteção cambial (“hedge”) tem compensado ao considerar a contrapartida de um prazo mais longo e da possibilidade de levantar mais recursos.

A primeira da fila neste ano é a Rede D’Or, que pretende levantar entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões para financiar parte da expansão de sua rede de hospitais. O maior grupo hospitalar do país segue os passos de Rumo e JSL, novatas no mercado em 2017 e igualmente sem receitas em dólar. Os dois últimos nomes voltam a mercado nos próximos dias.

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