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Publicado em 08/02/2018

Falta de confiança ainda impede a expansão de estoques da indústria (DCI)

Apesar da perspectiva de retomada econômica em 2018, os estoques da indústria não devem ter um crescimento significativo diante do horizonte ainda nebuloso para o empresário investir sem a garantia de que conseguirá escoar os volumes armazenados.

Nós últimos anos, em meio à forte crise econômica, as empresas vêm trabalhando com níveis baixos de estoques em virtude da demanda retraída. Especialistas consultados pelo DCI apontam que este cenário se deve a uma previsão de crescimento moderado, foco maior em exportações e insegurança por parte dos empresários diante da situação política instável e eleições imprevisíveis.

O economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo, avalia que a expectativa de melhora econômica existe, mas não é tão forte. “A situação das empresas ainda não atingiu um nível de segurança para aumentar os estoques. O risco é elevado e a demanda não é satisfatória”, comenta.

O economista da Pezco Economics, João Costa, concorda com o diagnóstico. “Por mais que existam sinais de recuperação, não há muita segurança para fazer esse

tipo de investimento. A indústria vai aguardar, até por insegurança política e eleitoral, reformas e decisões que podem impactar o setor. O industrial está cauteloso”.

De acordo com dados da CNI, os estoques recuaram em dezembro de 2017, atingindo índice de 46,4 pontos, abaixo da linha divisória de 50 pontos. Já o índice do nível de estoques efetivo em relação ao planejado foi de 49,5 pontos.

O mesmo levantamento mostra que a utilização média da capacidade instalada foi de 64% no mês, a maior dos últimos três anos para o período. Porém, o percentual ainda é inferior à média histórica entre 2011 e 2014, que era de 70%.

O economista e professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), Nelson Marconi, não acredita que esses números devam se alterar em 2018. “Pode haver uma ligeira alta e a utilização da capacidade pode chegar a 66% ou 67%, mas nada além desse patamar”.

Marconi pondera que o crescimento econômico do País será puxado pelas exportações, principalmente na indústria primária e automobilística. “Não se faz estoque para exportar, se exporta por encomenda. No mercado interno, existe uma pequena recuperação da massa salarial. Mas não o suficiente para aumentar estoques.”

Um cenário de crescimento em que os estoques atuais não atendam à demanda também é visto como pouco provável. “Por mais que os estoques não aumentem muito, a capacidade industrial é grande. Vai ser difícil imaginar 2018 ou 2019 com inflação por demanda”, diz João Costa.
Retomada lenta

O presidente do Instituo Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, vê o cenário com um pouco mais de otimismo, mas confirma que as empresas ainda não estão comprando com antecedência. “Os estoques estão ajustados ao consumo, que caiu, e as empresas estão à espera de aumento de demanda para elevar os níveis”, explica. “ Existe uma expectativa, mas não temos dados concretos de que isso já ocorre. É mais um sentimento do mercado.”

A perspectiva é que a demanda e os estoques ainda levem alguns anos para retornar aos níveis pré-crise. “É preciso que o PIB volte a crescer de forma acelerada, por volta de 4%, nos próximos dois ou três anos”, analisa Marconi.

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