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Publicado em 12/04/2018

Redução de inadimplência, juro e spread demorará dois anos (DCI)

A maior queda de spreads, juros e inadimplência bancários ainda podem demorar dois anos. Mesmo com os esforços do Banco Central (BC) junto às outras entidades, as incertezas políticas e a fraca competição no setor limitam os reflexos positivos na ponta final.

O foco do BC em prol de sua agenda positiva e a forte atuação da autoridade monetária em conjunto com o Conselho Monetário Nacional (CMN) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) trazem poucas perspectivas no curto prazo.

“A tendência é de queda, mas o efeito não é para logo. Há um delay de pelo menos seis meses até a maturação dessas medidas e, mesmo que os efeitos comecem a vir no próximo ano, as mudanças mais significativas ainda demoram a ganhar corpo”, explica o analista da Planner Corretora Victor Martins.

Além do recuo na taxa básica de juros (Selic) vista desde 2016, a demora vem mesmo após as mudanças no rotativo do cartão de crédito, a projeção de novas taxas para o cheque especial, a menor tarifa do débito e a queda dos depósitos compulsórios.

Segundo o diretor sênior de instituições financeiras da Fitch Ratings, Claudio Gallina, ainda que não seja possível ver diferença nos juros dos novos créditos concedidos, as expectativas são positivas, já que o custo de captação bancária caiu – assim como o volume de provisões.

Os últimos dados do BC mostram que a média de spreads de fevereiro ficou em 20,4 pontos percentuais (p.p.), queda de 3,5 p.p. em relação ao mesmo mês de 2017 (23,9 p.p.). Os juros totais, por sua vez, ficaram em 26,9% ao ano, queda de 5,3 p.p. na mesma relação (32,2%).

“Faz sentido pensarmos que no longo prazo – e se a taxa de juros continuar em um bom patamar –, as projeções são de redução no spread bancário. Mas quanto e quando isso vai acontecer é difícil saber”, avalia o executivo.

Gallina alega que “o cenário é muito turvo para 2018” e que ainda não há sinalizações de como o próximo presidente do Brasil lidará com as questões fiscais.

“Esse ambiente deixa tomadores e credores bem reticentes, tanto para a demanda do crédito como para a redução mais drástica dos juros em si”, completa.

Ao mesmo tempo em que os indicadores econômicos começam a demonstrar melhora gradativa, porém, o volume de desempregados e inadimplentes ainda é relativamente grande no País.

O último levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), por exemplo, aponta que em alta por seis meses consecutivos, o número de consumidores negativados chegou a 62,1 milhões no primeiro trimestre.

Ainda segundo os dados do BC, a inadimplência total média de fevereiro ficou em 3,4%, queda de 0,4 p.p. frente a igual período do ano passado, quando era 3,8%.

“As medidas do BC são mais de educação financeira do que algo que possa ter um impacto relevante na inadimplência e juros como um todo. O foco precisa ser em resolver a concentração bancária”, avalia o analista da Coinvalores Felipe Silveira.

Processos demorados

Nesse sentido, a demora nos processos de atuação dos grandes bancos com a mudança estratégica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da regulação das fintechs e da migração ao mercado de capitais, adiam o crescimento do crédito.

De acordo com a diretora de seguros da Fitch Ratings, Esin Celasun, no tocante ao banco de fomento, as mudanças na administração e a necessidade de pagamento da dívida com o Tesouro mudaram o foco do BNDES e, agora, abrem espaço a uma maior concorrência por parte dos grandes bancos.

“Isso, porém, vai acontecer ao longo do tempo e não de imediato. Mas, claramente, as mudanças terão impacto, não apenas no tamanho e no papel do BNDES, mas também trará um desenvolvimento positivo para os bancos privados em relação aos grandes projetos e na área de infraestrutura”, diz Esin.

Já em relação à regulação específica para fintechs no sistema financeiro, o analista da Coinvalores Felipe Silveira reforça o compasso de espera no qual o BC se encontra.

“O Ilan [Goldfajn, presidente do BC] tem pontuado bastante que a regulação não virá antes da inovação. Essa mentalidade de não querer enforcar as fintechs é importantíssima para aumentar a competição, mas é algo que veremos apenas no médio e longo prazo”, comenta.

Silveira ressalta, ainda, a importante “janela de captação” aberta para as grandes companhias no mercado de capitais.

“O problema é que essa situação depende bastante do cenário internacional, o qual acabou se deteriorando um pouco neste ano. Até que ponto esse ambiente continua é a dúvida que fica”, acrescenta o especialista.

Ante o atual cenário, Gallina afirma, ainda, que as projeções da Fitch de crescimento do crédito são “muito próximo de zero” e que “o maior driver de preocupação é a rentabilidade no longo prazo”. “A tendência é positiva e a dinâmica é que o crédito foque no varejo e que a parte corporativa se apoie no mercado de capitais. As perspectivas, porém, continuam no longo prazo”, conclui.

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